O descaso dos jovens com a atividade política pode ser avaliado pela mínima participação deles nos partidos – pouco mais de 1% do contingente de quase 14 milhões de homens e mulheres entre 16 e 20 anos está filiado em algum partido. As razões disso são muitas, a começar pelo comportamento nem sempre ético de alguns parlamentares que acabam, com suas atitudes e ações, denegrindo a imagem das casas legislativas e, por extensão, da política. Mas mesmo assim, pesquisas revelam que os jovens entendem que é por meio da política que se promovem as transformações do país.
Particularmente, me dei conta disso muito cedo. Nascido numa família de políticos, desde pequeno aprendi que a política é um instrumento a serviço da cidadania, da democracia, da busca constante de melhorias para a sociedade. Meu avô, Hermas Brandão, personifica e defende esses princípios na condição de político paranaense com uma biografia irrepreensível. Ingressou na vida pública em 1976, ao se eleger prefeito de Andirá, e fez uma gestão considerada inovadora, assentada em programas de promoção social, obras de infra-estrutura e atração de investimentos.
Foi deputado estadual por quatro legislaturas sucessivas, secretário da Agricultura, presidente da Assembléia Legislativa e governador em exercício, meu avô ocupa atualmente a presidência do Tribunal de Contas do Estado. Com ele aprendi muitas lições, entre elas – talvez a mais importante – a de que o exercício da atividade política deve estar sempre a serviço do bem comum e sua prática não pode prescindir da transparência, da honestidade, da dedicação e da determinação de se alcançar os objetivos propostos no sentido de atender as expectativas da sociedade.
Inspirado nesses ensinamentos, exercitado na prática com meu avô em nossas andanças pelo Paraná, visitando dezenas de municípios e reunindo-nos com lideranças comunitárias, políticas e em contato direto com a comunidade, descobri minha vocação e meu desejo de participar ativamente da vida pública disposto a contribuir com idéias e ações para estimular uma participação maior e mais efetiva dos jovens na atividade política. Não poderia me omitir de representar a juventude e de procurar ser exemplo para que mais jovens se interessem em participar da política.
Também não posso esquecer-me de meu avô paterno, Leandro de Freitas de Oliveira, que se foi no dia 20 de maio de 2008 deixando saudades e muitas lições de vida aprendidas e repassadas ao longo de uma brilhante trajetória profissional, o que inclui a direção da Câmara de Vereadores de Curitiba e depois, como juiz concursado, atuou em diversas comarcas do interior do Paraná.
Em 1983 foi nomeado para o Tribunal de Alçada e logo depois se tornou Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná. Presidiu o Tribunal Regional Eleitoral em 1990. Foi o primeiro diretor da Unifamma, instituição de ensino superior de Maringá que ajudou a criar.
Meu avô sempre participou ativamente da vida política do país, antes como militante estudantil e depois como magistrado, num período em que os riscos de manifestações públicas contrárias ao governo eram enormes, pois se vivia sob um regime de exceção, com os militares ditando as regras – e cassando-as quando julgavam convenientes. Ele próprio foi vítima da repressão, ao ser afastado arbitrariamente de suas funções de juiz quando atuava na comarca de Foz do Iguaçu.
Para ser reintegrado ao cargo, propôs ações no Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Ganhou o direito na Justiça, mas os militares não permitiram que retomasse suas funções, o que só ocorreu 14 anos depois, com fim da ditadura. Portanto, dele herdei a persistência e os princípios democráticos, além de muitas outras lições importantes de cidadania e de humanismo.
Eleito vereador em Maringá em 2008, aos 20 anos, estou empenhado em não apenas motivar o jovem a inserir-se de forma mais ativa na vida pública, mas também em discutir e buscar soluções para problemas que desafiam esse enorme contingente de pessoas, como emprego, saúde, trabalho, educação. Por extensão, meu compromisso legislativo alcança a comunidade como um todo. Ainda que a política desperte certa rejeição em função de eventos circunstanciais, como denúncias e escândalos, passa por ela a transformação desse país – e jovens ou não tem a responsabilidade de ajudar a construir um Brasil melhor.
